A nova street da Avelloz estreia no Brasil com motor de 170 cm³, 18,3 cv e uma diferença de preço que chama atenção diante da Honda CG 160 Titan.

A Avelloz AZ170 Bravo acaba de chegar ao mercado brasileiro por R$ 16.990, sem frete, e já aparece como uma das novidades mais curiosas do segmento de motos urbanas em 2026. O modelo é a primeira street da marca e entra justamente em uma categoria dominada há anos pela família Honda CG.
A comparação com a CG 160 Titan é inevitável, mas os números mostram que a proposta da Bravo vai além de simplesmente tentar reproduzir a fórmula da Honda.
O preço é apenas parte da estratégia
A AZ170 Bravo custa R$ 16.990 na pré-venda, enquanto a Honda CG 160 Titan 2026 parte de R$ 20.590, também sem frete. A diferença nominal chega a R$ 3.600.
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É uma distância relevante para o comprador de uma moto urbana, principalmente porque a Bravo não chega com um motor menor ou uma configuração básica para justificar seu preço.
O propulsor da Avelloz tem 169,9 cm³, injeção eletrônica, cinco marchas e potência declarada de 18,3 cv. A fabricante também informa torque de 15 Nm e consumo estimado de até 40 km/l.
Na ficha da Honda, a CG 160 Titan utiliza motor de 162,7 cm³, também com cinco velocidades, entregando 14,4 cv com gasolina e 14,7 cv com etanol. O torque máximo é de 13,8 Nm e 14 Nm, respectivamente.

Ou seja, a Bravo chega ao segmento apostando em uma cilindrada um pouco maior e em números de potência superiores.
Isso muda o discurso da disputa: a Avelloz não está tentando apenas ser uma alternativa mais barata.
A Bravo tem outro foco no pacote de equipamentos
A nova Avelloz traz painel totalmente digital, iluminação Full LED, partida elétrica e duas portas USB, sendo uma do tipo A e outra do tipo C. Também utiliza freio CBS, que combina a atuação entre as rodas.
A CG 160 Titan, por sua vez, traz painel digital, iluminação em LED, entrada USB-C e motor FlexOne, permitindo o uso de gasolina ou etanol. O principal diferencial de segurança é o ABS de um canal na roda dianteira.
Essa é uma diferença importante entre as duas motos.
Enquanto a Bravo concentra parte de sua proposta em potência, equipamentos e preço de entrada, a Titan apresenta uma configuração mais sofisticada no sistema de frenagem. Portanto, olhar apenas para a quantidade de cavalos não explica toda a diferença entre os modelos.
Tanque maior pode ser um trunfo da Avelloz
Outro detalhe pouco comentado na comparação é a capacidade do tanque.
A AZ170 Bravo tem reservatório de 16 litros, enquanto a CG 160 Titan possui tanque de 14 litros. A Avelloz declara autonomia de até 40 km/l, embora o resultado real dependa das condições de utilização, carga, trânsito e estilo de condução.
Na prática, a combinação de tanque maior e consumo declarado pode favorecer intervalos mais longos entre abastecimentos.

A Bravo também tem 220 mm de distância mínima do solo e assento a 800 mm de altura. Seu entre-eixos é de 1.325 mm. A Titan tem 190 mm de vão livre, banco a 796 mm e entre-eixos de 1.311 mm.
São números que ajudam a explicar por que a Avelloz apresenta a moto como uma opção voltada à mobilidade urbana, mas com uma presença física ligeiramente diferente da tradicional CG.
A grande incógnita está fora da ficha técnica
Se os números iniciais são competitivos, a verdadeira novidade da Bravo está na tentativa da Avelloz de ampliar seu espaço justamente onde a Honda possui enorme presença.
Dados da Fenabrave mostram a dimensão do desafio: a Honda respondeu por 65,25% dos emplacamentos de motocicletas em janeiro de 2026, enquanto a Avelloz registrou 1,86%. No acumulado até maio, a Honda CG 160 também liderava isoladamente entre as motos City, com 214.102 unidades emplacadas.
Por isso, a chegada da Bravo representa mais do que o lançamento de uma nova motocicleta.
A Avelloz está tentando ocupar um espaço em que o consumidor já possui referências muito consolidadas de preço, manutenção, disponibilidade de peças e rede de atendimento.
Produção nacional será o próximo passo
Inicialmente, a AZ170 Bravo chega importada, mas a Avelloz planeja iniciar a montagem do modelo em Manaus a partir de 2027. A nova estrutura terá capacidade inicial anunciada de 60 mil motocicletas por ano.
Esse movimento pode ser tão importante quanto a própria ficha técnica.
A Avelloz atualmente possui operação de montagem em Pernambuco e vem ampliando sua estrutura comercial e de pós-venda. A empresa também informou que pretende usar a nova operação para ampliar sua presença em regiões como Sul e Sudeste.
A estratégia, portanto, é de expansão de marca, e não apenas de lançamento de produto.
Bravo e Titan representam propostas diferentes
A diferença de preço entre as duas motos é evidente, mas os projetos também seguem caminhos distintos.
A AZ170 Bravo aposta em 18,3 cv, tanque de 16 litros, painel digital, Full LED e preço de R$ 16.990. Já a CG 160 Titan custa R$ 20.590, oferece motor FlexOne de até 14,7 cv e conta com ABS dianteiro, além de uma estrutura comercial consolidada no país.

A Avelloz ainda oferece três anos de garantia para a Bravo, com cronograma de revisões programadas divulgado para o modelo.
O ponto mais interessante, porém, não está em declarar uma vencedora.
A chegada da Bravo amplia as opções para quem procura uma street nessa faixa de cilindrada e preço. E, para o mercado brasileiro, talvez essa seja a principal notícia: pela primeira vez, a Avelloz coloca uma moto de 170 cm³ diretamente no centro da disputa pelas ruas, tentando conquistar espaço com uma combinação de preço e desempenho que até agora não fazia parte de seu portfólio.
Agora resta descobrir se essa vantagem inicial no papel será suficiente para transformar a Bravo em uma presença frequente nas ruas brasileiras.




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