Honda perde ritmo em julho no Brasil, mas números de 2026 ainda apontam crescimento

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A Honda registrou uma leve queda nos emplacamentos de motocicletas no Brasil em julho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado. Foram 127.378 unidades, contra 127.630 em julho de 2025, uma diferença de 252 motos, ou cerca de 0,2%.

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Foto Divulgação Honda

Isoladamente, o número poderia sugerir perda de força. O quadro muda, porém, quando se olha para o acumulado do ano: de janeiro a julho, a marca soma 898.715 emplacamentos, contra 824.011 no mesmo período de 2025. O crescimento é de aproximadamente 9,1%.

A principal informação, portanto, não é que a Honda esteja “perdendo vendas” no Brasil. É que a líder do mercado começou a encontrar uma base de comparação mais difícil enquanto o mercado como um todo continua crescendo.

O mercado de motos cresceu mais que a Honda

Os dados da Abraciclo ajudam a colocar o resultado em perspectiva. Entre janeiro e julho, o mercado brasileiro licenciou 1.373.580 motocicletas, alta de 12,3% sobre o mesmo período de 2025. Foi o melhor resultado histórico para um primeiro semestre de sete meses, segundo a entidade.

A Honda, com alta de aproximadamente 9,1% no mesmo intervalo, cresceu menos que o mercado.

Essa diferença merece atenção porque não significa necessariamente perda de clientes. Uma marca pode aumentar seus emplacamentos e, ainda assim, perder participação relativa quando concorrentes crescem em ritmo superior.

É exatamente o que acontece neste caso. A Yamaha, segunda colocada, passou de 173.939 emplacamentos entre janeiro e julho de 2025 para 189.459 no mesmo período de 2026, avanço de aproximadamente 8,9%. Já marcas como Bajaj, Kawasaki, Zontes e Mottu cresceram em ritmo bem mais acelerado.

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Julho mostra uma fotografia diferente

O resultado mensal é mais interessante do que parece.

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Foto Divulgação Honda

Em julho de 2026, a Honda registrou 127.378 emplacamentos, praticamente o mesmo volume de um ano antes. A Yamaha, por outro lado, teve 28.617 unidades, contra 28.573 em julho de 2025 — alta marginal.

A Shineray caiu de 11.593 para 11.476 unidades, enquanto BMW passou de 1.261 para 1.247. Triumph recuou de 1.249 para 1.186 e Ducati, de 102 para 76.

Isso mostra por que comparar apenas um mês pode ser enganoso. Julho trouxe quedas para algumas marcas, mas não há evidência suficiente para transformar esses resultados em uma tendência estrutural.

O próprio mercado nacional reforça essa cautela: foram licenciadas 199.236 motocicletas em julho, 3,1% acima de julho de 2025.

Em outras palavras, não houve uma retração geral da procura por motos que explique automaticamente os recuos individuais.

A disputa está acontecendo também abaixo da liderança

Enquanto a Honda continua muito à frente, algumas concorrentes estão aumentando rapidamente seus volumes.

A Bajaj, por exemplo, chegou a 21.367 emplacamentos acumulados até julho, contra 14.036 no mesmo intervalo de 2025. O crescimento calculado a partir dos dados mensais é de cerca de 52%.

A Kawasaki avançou de 5.976 para 7.880 unidades, enquanto a Zontes passou de 3.347 para 4.621. A Mottu também subiu de 52.901 para 66.987 emplacamentos no período.

Esses números não significam que essas marcas estejam próximas de ameaçar a liderança da Honda. A distância continua enorme. Mas revelam uma mudança relevante no mercado brasileiro: o crescimento não está concentrado apenas nas marcas tradicionais de maior volume.

Para o consumidor, isso pode significar mais opções em diferentes faixas de preço, cilindrada e proposta. Para as fabricantes líderes, significa que crescer deixou de ser suficiente; é preciso acompanhar o ritmo do mercado.

E há um detalhe importante nos modelos

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Foto Divulgação Honda

O comportamento por modelo também ajuda a explicar por que uma marca pode ter um mês mais fraco sem estar em crise.

Em julho, a Honda CG 160 teve 47.493 emplacamentos, contra 43.232 no mesmo mês de 2025. A Pop 110i também cresceu, enquanto a NXR 160 Bros caiu de 18.988 para 16.512 unidades. A CB 300F recuou de 5.739 para 4.270.

Ou seja: o resultado da marca é a soma de comportamentos muito diferentes dentro do catálogo.

Esse ponto é importante para o motociclista porque o número de uma fabricante não diz, sozinho, se uma determinada moto está vendendo bem ou mal. Mudanças de estoque, disponibilidade, renovação de modelos e preferência dos compradores podem afetar modelos específicos sem representar uma mudança geral na marca.

Sem dados adicionais que comprovem a causa, portanto, não é correto afirmar que a Honda caiu por falta de produto, preço, financiamento ou qualquer outro fator específico.

O que os números realmente dizem sobre a Honda

A Honda não está perdendo vendas no acumulado de 2026. Até julho, seus emplacamentos cresceram cerca de 9,1%. O que existe é uma perda de ritmo em relação ao crescimento do mercado, que avançou 12,3% no mesmo intervalo.

Isso significa que a participação relativa da marca merece acompanhamento. A Honda continua dominante, mas parte do crescimento adicional do mercado está sendo capturada por concorrentes.

Também é importante observar que o mercado brasileiro de motocicletas vive um momento excepcional. A Abraciclo registrou 1.254.191 motos produzidas no Polo Industrial de Manaus entre janeiro e julho, alta de 9,9% sobre 2025, enquanto os licenciamentos cresceram 12,3%.

Nesse cenário, uma marca que cresce menos que o mercado não está necessariamente em dificuldade. Mas está crescendo abaixo do potencial do próprio segmento — e isso é mais relevante do que uma queda de 0,2% em um único mês.

Elivelton Barbosa
Elivelton Barbosa

Analista do setor duas rodas, escrevo para compartilhar experiência real de pilotagem e informações técnicas sobre motocicletas.

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